22 outubro 2010

A literatura.

A pior ameaça aos livros em papel são as editoras.

É fácil: para um livro tradicional há gastos de papel, impressão, armazenamento e distribuição, ou seja, em cada livro vendido há um custo directo. No caso dos livros electrónicos não há nenhum encargo para a editora. Ninguém tem mais interesse em acabar com o livro como ele ainda é do que quem os comercializa hoje tal como são.

O mercado já está ao rubro com a disponibilização gratuita (literalmente) de milhares de obras. Por mim, vou a meio de O Mandarim de Eça de Queiroz no iPhone.

Os livros em papel não vão acabar mas vão passar a ser como os discos de vinil – uma graça.

13 outubro 2010

O que será, será, xiribitátátátá.

Em casa de uma das minhas avós havia apenas um torneira de água fria, onde se enchia um jarro que chegava para todos os serviços. Também me lembro do primeiro carro que se conseguiu comprar lá para casa, e da felicidade dos passeios de Domingo. Recordo bem a loucura da compra da casa de família numa altura em que qualquer coisa além do aluguer era loucura.

Algumas das pessoas que me criaram nunca tiveram frigorífico ou esquentador porque eram coisas dispensáveis para a altura, mas sempre fui à praia desde pequeno. E andei na escola e andei no futebol e lembro-me bem de tantas outras coisas e de como a vida era diferente mas tão parecida com a de hoje.

Em termos materiais, qualquer coisa que resulte da mais aguda das crises que se vivem hoje há de ser melhor do que aquilo que já conheci, e se não for, não será pior de certeza.

As pessoas têm muito medo porque pensam que os seus sorrisos estão nos dois carros que andam a pagar ou nos telemóveis que dizem o tempo para amanhã.