10 setembro 2010

Capa com assassino.



George Lois é considerado um dos melhores comunicadores de sempre. Entre vários feitos, este director de arte mudou o mundo através da comunicação, ou propaganda, se preferirem.

Entre muitos trabalhos de criação visual, durante anos criou capas para a revista Esquire, e hoje muitas fazem parte da colecção permanente do MOMA.

Uma delas é esta onde aparece William Calley, um militar que comandou um pelotão do exército dos Estados Unidos da América que se tornou famoso pelas piores razões. No dia 16 de Março de 1968 Calley e os seus homens dirigiram-se a aldeia vietnamita de My Lai e mataram 250 pessoas entre mulheres, crianças e idosos. Algumas das testemunhas afirmam que todo o pelotão ficou em transe com o banho de sangue.

Um dos soldados, quando se acabaram as munições, dirigiu-se a um boi doméstico e matou-o com a baioneta. Afirmou posteriormente que fez isto porque já não haviam habitantes da aldeia vivos.

O choque provocado por esta capa onde surge William Calley rodeado de crianças vietnamitas quando já estava a ser julgado por crimes de guerra é, ainda hoje, arrasador.

03 setembro 2010

Não podia estar mais de acordo.

E não conseguiria dizer melhor do que este senhor:

O que vemos de notícias de Moçambique faz ferver o sangue, mas é claro que todas as inferências lógicas e legítimas que a análise da situação autoriza estão hoje bloqueadas pelo "politicamente correcto".
Digamos apenas que é uma sorte, uma imensa sorte, não termos que viver naquele inferno dominado pelo terror, pela iniquidade, pela ostentação – uma jaula gigante entregue à feroz territorialidade primata que demonstra que alguns séculos de esforço pouco fizeram para melhorar milenares hábitos de violência tribal e de exploração da miséria.
No fim, talvez possamos concluir que apenas contribuímos com a erradicação do canibalismo (até ver) e com as armas com que os sobas intimidam (e não tarda nada voltam a matar) os seus súbditos.
Os vencedores desta crise moçambicana serão obviamente, e uma vez mais, aqueles que souberem demonstrar a mais vigorosa crueldade. Vão celebrá-lo, como sempre, com o aprofundamento da iniquidade – ou não fossem eles vizinhos do soba Mugabe e dos sobas que engendraram a Disgrace lapidarmente retratada por J.M. Coetzee.
Pobres mulheres e crianças que têm que suportar aquele inferno. Nós, que estamos de fora, temos uma sorte infinita.

O Jansenista