03 dezembro 2010

Este país é um coio.





Ontem o Assis disse que se demitia se alguns deputados socialistas fossem a favor das grandes empresas pagarem os impostos que deviam.

Hoje o César disse que arranjava uma chico-espertisse para os funcionários públicos dos Açores não perderem um cêntimo do vencimento por causa das medidas de austeridade que o governo do seu partido impôs a todos.

Envergonho-me de ter nascido num pais que permite duas pessoas como estas ocuparem os lugares onde estão.

25 novembro 2010

Cá vamos todos, cantando e rindo.

Em Portugal as entidades reguladoras dos mercados são o suplemento cómico das notícias que envolvem facturas da luz, preços dos combustíveis ou telecomunicações. Procuram descomprimir os consumidores sempre através de piadas previsíveis.

Inenarrável, não é 58% do valor total da factura da luz ser o consumo de electricidade (os restantes 42% são taxas e rendas diversas), mas sim o secretário de estado da energia Carlos Zorrinho dizer que o regulador é que sabe.

17 novembro 2010

O melhor salvador que íamos tendo.

Acho piada à cobertura de estrela rock mártir que Sá Carneiro conquistou. Não sei o que esta massa açucarada esconde mas desconfio que ter morrido foi a melhor coisa que lhe aconteceu. Que melhor forma de escancarar os portões das conjecturas e futurologias de apoteose? Até arranjaram uma Jacqueline Kennedy de trazer por casa.

Enfim, melhor que o seu primeiro álbum, só esta colectânea de palermice.

12 novembro 2010

A gosto.

O gosto, ao contrario da crença comum, educa-se. Como tal, pode ser debatido.

Pior do que alguém com mau gosto, é alguém com mau gosto e com dinheiro.

11 novembro 2010

De tudo, como na pharmácia.



Frasco de comprimidos para dormir de Marilin Monroe.

Pertence ao arquitecto e designer de interiores Jacques Grange. Descoberto no The Selby.

10 novembro 2010

Por falar em livros e no final deles em papel.

A Amazon decidiu aumentar os royalties às editoras referentes à venda de ebooks para o Kindle de 30% para 70% (valores médios).

22 outubro 2010

A literatura.

A pior ameaça aos livros em papel são as editoras.

É fácil: para um livro tradicional há gastos de papel, impressão, armazenamento e distribuição, ou seja, em cada livro vendido há um custo directo. No caso dos livros electrónicos não há nenhum encargo para a editora. Ninguém tem mais interesse em acabar com o livro como ele ainda é do que quem os comercializa hoje tal como são.

O mercado já está ao rubro com a disponibilização gratuita (literalmente) de milhares de obras. Por mim, vou a meio de O Mandarim de Eça de Queiroz no iPhone.

Os livros em papel não vão acabar mas vão passar a ser como os discos de vinil – uma graça.

13 outubro 2010

O que será, será, xiribitátátátá.

Em casa de uma das minhas avós havia apenas um torneira de água fria, onde se enchia um jarro que chegava para todos os serviços. Também me lembro do primeiro carro que se conseguiu comprar lá para casa, e da felicidade dos passeios de Domingo. Recordo bem a loucura da compra da casa de família numa altura em que qualquer coisa além do aluguer era loucura.

Algumas das pessoas que me criaram nunca tiveram frigorífico ou esquentador porque eram coisas dispensáveis para a altura, mas sempre fui à praia desde pequeno. E andei na escola e andei no futebol e lembro-me bem de tantas outras coisas e de como a vida era diferente mas tão parecida com a de hoje.

Em termos materiais, qualquer coisa que resulte da mais aguda das crises que se vivem hoje há de ser melhor do que aquilo que já conheci, e se não for, não será pior de certeza.

As pessoas têm muito medo porque pensam que os seus sorrisos estão nos dois carros que andam a pagar ou nos telemóveis que dizem o tempo para amanhã.

10 setembro 2010

Capa com assassino.



George Lois é considerado um dos melhores comunicadores de sempre. Entre vários feitos, este director de arte mudou o mundo através da comunicação, ou propaganda, se preferirem.

Entre muitos trabalhos de criação visual, durante anos criou capas para a revista Esquire, e hoje muitas fazem parte da colecção permanente do MOMA.

Uma delas é esta onde aparece William Calley, um militar que comandou um pelotão do exército dos Estados Unidos da América que se tornou famoso pelas piores razões. No dia 16 de Março de 1968 Calley e os seus homens dirigiram-se a aldeia vietnamita de My Lai e mataram 250 pessoas entre mulheres, crianças e idosos. Algumas das testemunhas afirmam que todo o pelotão ficou em transe com o banho de sangue.

Um dos soldados, quando se acabaram as munições, dirigiu-se a um boi doméstico e matou-o com a baioneta. Afirmou posteriormente que fez isto porque já não haviam habitantes da aldeia vivos.

O choque provocado por esta capa onde surge William Calley rodeado de crianças vietnamitas quando já estava a ser julgado por crimes de guerra é, ainda hoje, arrasador.

03 setembro 2010

Não podia estar mais de acordo.

E não conseguiria dizer melhor do que este senhor:

O que vemos de notícias de Moçambique faz ferver o sangue, mas é claro que todas as inferências lógicas e legítimas que a análise da situação autoriza estão hoje bloqueadas pelo "politicamente correcto".
Digamos apenas que é uma sorte, uma imensa sorte, não termos que viver naquele inferno dominado pelo terror, pela iniquidade, pela ostentação – uma jaula gigante entregue à feroz territorialidade primata que demonstra que alguns séculos de esforço pouco fizeram para melhorar milenares hábitos de violência tribal e de exploração da miséria.
No fim, talvez possamos concluir que apenas contribuímos com a erradicação do canibalismo (até ver) e com as armas com que os sobas intimidam (e não tarda nada voltam a matar) os seus súbditos.
Os vencedores desta crise moçambicana serão obviamente, e uma vez mais, aqueles que souberem demonstrar a mais vigorosa crueldade. Vão celebrá-lo, como sempre, com o aprofundamento da iniquidade – ou não fossem eles vizinhos do soba Mugabe e dos sobas que engendraram a Disgrace lapidarmente retratada por J.M. Coetzee.
Pobres mulheres e crianças que têm que suportar aquele inferno. Nós, que estamos de fora, temos uma sorte infinita.

O Jansenista

30 agosto 2010

Estamos quites, pá.

Tradução de ouvido de Ne me quitte pas de Jacques Brel, por Afonso, 9 anos. Ouvido este fim-de-semana lá por casa.

24 agosto 2010

Ear cushions.



Os Koss Porta Pro fizeram 25 anos e são considerados, ainda hoje, os melhores headphones na sua categoria. Eu comprei uns à coisa de 10 anos e já perdi a conta às horas e horas de prazer musical que me deram.

São soberbos quer na construção, quer na qualidade do som que ultrapassa em muito o que o comum dos mortais está habituado. Esteticamente têm a riqueza de uma Farraw Fawcett (que Deus tem) a andar de skate no parque, com tudo o que isto tem de bom e mau. Comprem uns, que a expressão do fabricante Lifetime Warranty diz tudo.

19 agosto 2010

O Sortido Fino está aqui, está no Facebook.

A verdade é que este post serve apenas para ver se a ligação está a funcionar em pleno. Finalmente, a magia das palermices, revelações, pensamentos e ideias na grande ferramenta social.

18 agosto 2010

Fez na segunda-feira 110 anos que morreu Eça de Queirós.

Se o melhor português não tivesse sido um concurso de televisão, mas sim uma coisa mais objectiva e razoável, este senhor estaria lá no topo, à porrada com outros dois ou três candidatos ao primeiro lugar (o Álvaro Cunhal e o António Oliveira Salazar não podiam entrar uma vez que cilindraram na versão entretenimento).

Friends in high places.

Sempre que uma figura pública morre, há pessoas que decidem tecer comentários para os meios de comunicação e tratar o falecido apenas pelo primeiro nome. Ainda agora, aquando da morte de José Saramago, era ouvi-los a dizer o Zé para cá, o Zé para lá e quando jantávamos em casa do Zé.

Este tipo de tratamento serve para se notar o grau de intimidade com o falecido, numa demonstração pura de vaidade, e é uma forma pouco condigna de se prestar homenagem a um amigo.

Este fenómeno é velho e toma muitas formas. É sabido que também as prostitutas gostam de aparecer ao lado (ou por baixo, ou por cima) de homens influentes como forma de ascensão social.

04 junho 2010

Ética? Estás a falar-me de ética? Queres envergonhar-me à frente dos meus amigos?*

Um pedófilo foi apanhado pela justiça, julgado e preso. Recorria a malvadezes que envolviam clorofórmio e camisas de forças para controlo das vítimas. Confessou os seu crimes e pediu para ser castrado porque não sabe se se consegue controlar caso tenha novas oportunidades.

O seu advogado, o conhecido senhor João Nabais, alegou que o seu cliente não podia ser acusado de nenhum crime porque punha as crianças a dormir (com o clorofórmio) e só depois abusava delas. Segundo o raciocínio do mesmo, como as vítimas estavam inconscientes, estas não podiam opinar sobre o que o pedófilo lhes estava a fazer, nem tampouco ficariam traumatizadas com os abusos. O advogado desenvolveu este raciocínio brilhante tentando agarrar-se a um vazio legal para deixar o senhor pedófilo à solta.

Em Portugal não existe castração para condenados por crimes sexuais. O pedófilo foi condenado a 18 anos de prisão.

Sigamos então o bom senso do tribunal e mademos o senhor João Nabais para o caralho.

*Frase retirada da série Angels in America onde Al Pacino desempenha o papel de um reputado advogado.

25 maio 2010

O rico cinema português.

A ficção audiovisual no nosso país não costuma ser grande coisa porque quem a faz tem o estranho costume de subestimar o público. Tome-se como exemplo as personagens ricas: são sempre criaturas deslocadas da realidade com um mau gosto atroz e com carros que nunca são de gente rica na realidade. A sua interpretação é sempre de uma falsidade confrangedora e percebe-se que o actor não só nunca foi abastado de material como não estudou o suficiente.

21 abril 2010

Verbalizando evidências à parva:

- A religião Católica Romana é, e sempre foi, muito mais importante e influente para Portugal do que qualquer outra;

- Um Papa é muito mais importante para o mundo que qualquer outro líder religioso;

- Quem clama tolerância perante todas as religiões costuma ser contra, e ataca constantemente, a religião Católica Romana;

- Quem tem por costume defender incondicionalmente as minorias costuma ser radicalmente contra algumas delas, como exemplo: associações neo-nazis ou aficionados de tourada;

- Não pratico nenhuma religião mas se fosse crente preferiria a Religião Católica a qualquer outra, quanto mais não fosse porque tenho uma igreja perto de casa.

- O Partido Comunista Português é o partido político nacional com mais imóveis porque se fartou de roubar no pós 25 de Abril.

19 abril 2010

A tolerância de ponto está em crise.

Eu não tolero quem se revolta de forma primária contra a tolerância de ponto dada pelo governo nos dias em que o Papa visita o nosso país. Isto deve-se aos argumentos que costumam ser utilizados e que demonstram quase sempre a ignorância de quem os profere.

E quem compara o Papa, este ou outro qualquer, a outros líderes religiosos vai por aí abaixo na ignorância do que diz: mesmo que desatemos a correr não os apanhamos na descida pela sua estupidez abaixo.

Leitura aconselhada para este tema:

08 abril 2010

Afonso, 8 anos:

Pai, quem é de um gang, tem que usar calças de gang, não é?

26 março 2010

Se não há tentação, não há necessidade de alterar a verdade.

Por princípio, confio mais numa notícia lida num blogue do que num jornal. Cada um pode escrever o que lhe apetece e isso leva-me a preferir alguém que o faz sem ser a troco de dinheiro.

A falta de interesse monetário nessa emissão de palavras dá-me aquele confortozinho da mensagem menos influenciada ou manipulada por factores externos à vontade de quem a escreve.

Factos deturpados, por factos deturpados, prefiro os de quem nada tem a ganhar com isso.

18 março 2010

Acho que o mealheiro para o taxidermista pode ser partido por isto.



Barenjager (Bear Hunter) por Lise Lefebvre (2009)

12 março 2010

Poupem os portugueses às fantochadas dos inquéritos, sindicâncias ou processos.

Numa análise ao panorama político, ético e de apuramento de responsabilidades em Portugal, simplifico a minha observação e exigência. A falta de consequência dos malabarismos político-judiciais a que temos assistido nos últimos tempos poderá reflectir-se em três perguntas simples:

- Quem vai preso?
- Quem vai pagar tudo o que deve ou roubou?
- Quem é que vai ser demitido ou demitir-se das suas funções?

Tristemente percebemos que a resposta às questões anteriores é a mesma: ninguém.

Assolado por uma tristeza perante a verdade da vida portuguesa, dou comigo a pensar numa das funções mais importantes das forças armadas de qualquer país: garantir a segurança e funcionamento da sociedade civil quando mais nada o consegue fazer. Claro que isto é apenas uma golfada delirante da minha mente.

Snow White coffin.



Esta é uma alcunha tão perfeita como o objecto que a adoptou.
Gira discos SK4 da Braun, desenhado em 1956 por Dieter Rams.

03 março 2010

Verdade desportiva:



A actuação dos All Blacks, a selecção neozelandesa de rugby, antes de cada jogo, com a Haka - uma dança de intimidação Maori - é uma coisa ridícula.

01 março 2010

Eu também odeio tudo o que é moda.



Uma pequena entrevista com o designer Dieter Rams e um dos momentos mais altos deste blogue, pois então.

23 fevereiro 2010

Vergonha

Porque é que o Governo Regional da Madeira mente em relação ao número de mortos do temporal? Há várias testemunhas que asseguram a retirada de, pelo menos, 6 corpos dos parques de estacionamento dos centros comerciais do Funchal, ainda assim o Governo Central da Madeira diz que não há lá nada para ver.

Ontem à tarde a Câmara Municipal do Funchal confirmava a notícia da retirada destes 6 corpos. Passadas poucas horas o Governo Regional veio desmentir o comunicado da Câmara Municipal e dizer que a informação deste se sobrepunha à da autarquia, e para os jornalistas não ligarem ao que tinha sido dito antes.

A república e a das bananas não respeita a inteligência dos seus habitantes - sobreviventes da palhaçada que vai sendo Portugal.

22 fevereiro 2010

Obviamente.

Se o meu pai fosse gay, mudava tudo.

11 fevereiro 2010

Teatro de operações que quase sempre correm mal.

Eu não gosto de peças onde o público participa. A chamada interacção com a plateia lembra-me algumas actuações de palhaços no circo.

Acho que é a vergonha de não puder dizer que não, sob pena de passar por estúpido, que me incomoda.

29 janeiro 2010

Report abuse:

O jornalismo em Portugal vai de mal a pior, e eu estou aqui, como um observador externo, a rir-me com o incoformismo dos incompetentes.

Pode ser que emirja qualquer coisa de jeito das cinzas.

27 janeiro 2010

Evidência rebenta argumentos:

Juntamente com os heterossexuais comuns e com os padres com comportamentos desviantes, também há homossexuais pedófilos.

18 janeiro 2010




11 janeiro 2010

Este blogue também presta serviço público:



Depois de estar à venda por breves semanas no Jumbo, o fabuloso chá PGtips desapareceu. Já a poeira da falta de esperança estava assente quando uma amiga descobriu que existe uma loja no Centro Comercial Mouraria que o vende.

Claro que estamos a falar de chá a sério.

05 janeiro 2010

Eu não estou entre os 95.000 que subscreveram esta petição, mas.

Sabe-se que um referendo sobre o casamento entre homossexuais só iria para a frente se a assembleia da república o permitisse. Alguns constitucionalistas dizem que era de bom tom levar em conta uma petição subscrita por 95.000 cidadãos, afinal nunca houve na história deste país uma mobilização desta grandeza.

Só que também se sabe que caso este referendo se realizasse, a maioria das pessoas votaria contra o tal enlace entre pessoas do mesmo sexo.

Assim sendo, José Sócrates e os partidos mais à esquerda preferem dar mais um amaço na democracia e na credibilidade dos políticos nacionais, afirmando a irrelevância da opinião destes 95.000 portugueses.

O governo poderia ter evitado este imbróglio caso tivesse legislado sobre o registo de relações entre pessoas do mesmo sexo, salvaguardando a palavra casamento. Afinal de contas é disto que se trata: a palavra casamento.