30 abril 2007

O fado do nosso jornalismo.

Parece que o suplemento Ípsilon do jornal Público da passada sexta-feira fala da língua francesa e da sua decadência enquanto referência internacional. Digo parece, porque não o li e, se calhar, não o vou ler.

Também parece que alguns dos jornalistas e entrevistados não percebem muito daquilo que estavam a falar.

O Camané e o jornalista que o entrevistou traduziram a canção de Jacques Brel “l'ombre de ton chien” para “o ombro do teu cão”, quando a tradução correcta seria “a sombra do teu cão”. Depois dissertaram sobre a sua incompetência.

27 abril 2007

Publicidade com mulheres boas ou cãezinhos, vende que se farta.

O aumento de visitas num blogue raramente tem a ver com o aumento da qualidade desse blogue.

Há vários truques para angariar leitores, ter amigos com blogues famosos é um deles. Eu prefiro recorrer a mulheres nuas, um dia que esteja aflito.

26 abril 2007

Sr. Rodrigues, adeus.

A pergunta é: quanto tempo e quantas voltas dará o presidente da câmara de Lisboa até se demitir?

Há um ponto em que deixar arder e sensatez se juntam.

24 abril 2007

Ministério do bom gosto XIII.



Rain - Ryuichi Sakamoto

22 abril 2007

O Miles Davis dos blogues portugueses:

O maradona.

Quem propõe políticas para defender "o nosso código genético" deve merecer tratamento diferente de quem, apesar de tudo, só acha que os pobres ficam melhor defendidos se forem tratados como um rebanho indiferenciado.

Nomeadamente, os primeiros, em vez de constarem numa suposta lista de malfeitores da democracia, deveriam antes ser enrabados, consecutivamente, por um iraqueano xiita, um iraqueano sunita, um soldado americano, um jogador da selecção de rugby do Tonga e, finalmente, por um preto sem rodilha.

20 abril 2007

Com rede é mais fácil.

É fácil cair na tentação de pensar que a internet pode ser um meio de batota para quem pensa, uma espécie de televisão de quem lê. O conhecimento, misturado com lixo, à mão de semear, pode fazer uma certa confusão aos mais sensíveis, um pouco como os tenores comerciais que levam a ópera a quem de erudito pouco tem.

Só que o acesso mais rápido à informação não altera em nada o que se fazia antigamente: vasculhava-se em bibliotecas e apontava-se ou fotocopiava-se tudo o que supostamente interessava.

A revolução está só no acesso e não nos conteúdos ou comportamentos. A percentagem de imbecis e de génios vai-se manter, só a grande massa mediana sofre oscilações, quase sempre positivas, na diversidade de conhecimentos.

19 abril 2007

Ministério do bom gosto XII.












As campanhas publicitárias da Harvey Nichols. Gosto em especial desta, com gatinhos queridos que se vão matar.

18 abril 2007

Isto é Público.

Este jornal tem servido, nos últimos tempos mais do que nunca, o senhor que o pagou e paga. Belmiro de Azevedo tudo tem feito para prejudicar José Sócrates e o governo. Esta sua ferramenta tem sido a ponta dessa lança. Apesar de conhecer a utilidade de um jornal para quem tem a disponibilidade financeira de o pagar, não julguei que o Sr. Azevedo mostrasse tanto a nódoa negra.

É provável que os 32 milhões de Euros de prejuízo do Público em 2006 sejam o princípio de uma nova fase. Falência é pedir muito para já, mas, se calhar, são os faróis que iluminam o seu fecho por falta de rentabilidade. Sim, porque nisto dos negócios ninguém faz farinha com o Sr. Azevedo, nem que venha o primeiro-ministro.

Esta coisa da OPA só serviu para me desiludir. Primeiro foi a tristeza de perceber que a administração da PT não deixou o “mercado funcionar”, depois foi a cara do advogado da SONAE, a dar a primeira entrevista para a televisão. Por fim, é perceber que o melhor diário português, enquanto caminha para fundo, tenta arrastar atrás dele o timoneiro que mais fez por este país nos últimos anos.

16 abril 2007

“Agora vê lá, não batas com isso.”





A lista de passageiros do Titanic foi disponibilizada 95 anos depois do seu naufrágio. Esta notícia, quanto a mim, de interesse relativo, poderá servir para relembrarmos o grande RMS Olympic.

O Olympic, irmão gémeo do famoso afundado, esteve ao serviço durante mais de 35 anos. Este gigante, o primeiro a ser construído de um total de três projectados, fez a sua viagem inaugural em 14 de Junho de 1911.

Não deixa de ser curioso o facto de só se falar no Titanic e no seu naufrágio, quando a White Star construiu e tirou grande proveito de um navio igual em tudo.

A justiça cai por terra quando a falta é romântica. Até aquela gaita da orquestra não se calar durante o afundamento contribuiu para abafar a vida farta do Olympic.

15 abril 2007

Justiça pelos próprios mails.

Além de todas as vantagens que se conhecem, o Gmail servirá para que cada um de nós deixe um espólio. Até as gajas nuas, desenhos técnicos ou imagens de gatinhos em cestos de amizade ficam arrumados logo no sítio certo. Ali, junto ao insulto do excesso de confiança.

11 abril 2007

Leio e admiro muito um jornal daqui perto: o El País.

O nosso primeiro-ministro é bom, ao contrário de quem o tem tentado enxovalhar. Aliás, a técnica utilizada pelo jornal Público e por outros meios de comunicação é antiga, baixa e, como acontece aos maus nos filmes, vai virar-se contra quem a criou.

Como toda a gente sabe, só leio imprensa estrangeiramaradona

Ao bom provinciano,

É-lhe exigido que ande sempre com um livro de qualidade reconhecida, não vá um acidente ou outra urgência requisitarem uma exposição.

09 abril 2007

Ministério do bom gosto XI.


A Dama com Arminho – Leonardo Da Vinci - 1483




O Arminho.

Em Portugal,

há pessoas que falam na televisão ou escrevem, sobre vários assuntos, cujo o conceito primário é Think global, act local.

Não sei a origem desta ideia mas a primeira vez que a vi foi em 1998, quando trabalhava na multinacional Bates, através de um documento interno de posicionamento. Isto significa que esta berra*, como muitas outras por cá, tem pelo menos 9 anos.

*O cio dos veados também se chama Berra.

06 abril 2007

Agora mete-se a Páscoa.



Fui poucas vezes à missa. A minha família é o arquétipo da católica não praticante, com tudo o que esta nomenclatura tem de discutível.

A minha mãe reza de vez em quando e tem, pelo menos, um crucifixo e uma Nossa Senhora à vista.

Eu, fruto da idade, tenho uma visão de utilidade prática em relação à vida, adquirida na puberdade. Este estado de afastamento ou cepticismo não me impede de gostar do Natal e da Páscoa, com todas as implicações inerentes. Dos filmes bíblicos aos doces e enchidos, tudo me dá mais razões para andar bem disposto. Este estado nem sequer impede de, qualquer dia, num tolhimento agudo ou crónico, eu reparar que tenho andado com a cabeça no ar e não no céu.

O tempo transforma os livros técnicos em carvão.

Record de estupidez.

Pior que a teimosia do governo em avançar com a construção do novo aeroporto na Ota, é a teimosia dos opositores gratuitos.

Este não assunto é igual ao não assunto da licenciatura do senhor Sócrates. Há que ter paciência. O nosso jornalismo de referência continua um lixo.

05 abril 2007

Brutalidade.














A Vanity Fair de Abril presenteia-nos com um grande artigo sobre os Sopranos. O conteúdo é excelente e a produção fotográfica não é classificável por palavras normais. O casting, o guarda roupa, a iluminação e o tratamento digital das imagens está para além de tudo o que se possa imaginar.

Tony vem na capa com uma mulher do outro mundo, tão apropriada que os senhores do Photoshop mantiveram-lhe a quase imperceptível celulite na coxa direita. Como nesta, também as suas costas não apresentam sinais de anorexia e algumas pregas naturais foram mantidas. O fato e o charuto, fumado a mais de meio, na mão do Padrinho completam o festival de sapiência, certo?

04 abril 2007

Ministério do bom gosto X.



Zhang Ziyi

Máximas de Oscar Wilde, ocorrem-me uma quantidade delas.

02 abril 2007

Doré errou, é um Facto.


















Nesta ilustração de Gustave Doré, Dante e Virgílio diante de Catão de Útica, existe um erro: a sombra atrás de Virgílio não deveria lá estar. No relato de Dante, as almas não projectam sombras.

Há erros de imagem que só beneficiam a obra no instante. Esta, tal como um penteado vindo do Bairro Alto, será sempre recordada pela lacuna e não pelo eventual valor intrínseco.