30 janeiro 2007

Terei que fazer a diferença...



Yeah! Oh, Yeah! – Tullycraft (original dos The Magnetic Fields)

...entre um blog com 350 visitas diárias e este, como é compreensível.

P.S. As reticências servem para quem, como eu, não consegue colocar links nos títulos dos posts.

Por falar em mediocridade.

A Internet é fonte inesgotável para alunos desonestos. Imagino o que um jornalista estagiário consegue fazer com ela.

Autoridade.

Sempre que leio um livro obrigatório fico surpreendido, não com o preenchimento previsível das expectativas mas com a constatação de que deve ter sido lido por muito menos gente do que julgava.

Uma das últimas verdades a afagar-me a nuca:

Ninguém clama tanto por liberdade de imprensa como aquele que a quer perverter – Goethe

29 janeiro 2007

Ministério do bom gosto III.



Paris 1937, Grand Prix para o documentário Triumph des Willens de Leni Riefenstahl.

A humanidade é mesmo assim: sabe que é melhor nem tentar explicar certas coisas. O documentário O triunfo da vontade é um dos exemplos de comprometimento que mais sapos, engasgos e silêncios incomodativos provoca ainda hoje.

É uma obra-prima do filme documental, marco incontornável na história do próprio cinema, com um senão: é propaganda Nazi.

É bom ter sido reconhecido antes da Segunda Guerra Mundial. Ficou a obra com o seu valor intrínseco sem mácula.

25 janeiro 2007

Judiciária, Terrenos, Câmara, Acção!

Tenho o gosto e o voyerismo dos simples quando vejo corruptos (bancos e seguradoras inclusive), a arder, sem saber o que dizer no telejornal de logo à noite.

24 janeiro 2007

O que conhecemos não é a verdade.

O que conhecemos é o que nos é contado pelos vencedores da última guerra.

23 janeiro 2007

O vernáculo é que sabe.

Segundo Umberto Eco, a explicação mais simples é aquela que mais se aproxima da verdade.

Se é assim, cagar de porta aberta é o princípio do fim de qualquer relação.

22 janeiro 2007

Assim sendo, e servindo-me do post anterior como muleta,

e porque não, de desculpa para escrever pouco, estes são os dois livros que ando a ler:

Máximas e Reflexões – Goethe

Livro do Céu e do Inferno – J. L. Borges e Bioy Casares

É por estes e por outros que a lista dos melhores livros do ano, por aqui, nunca será novidade.

21 janeiro 2007

A Constituição ideal:

1. No que a escritores diz respeito: No time for losers.

18 janeiro 2007

Também há uma marca de preservativos que se chama Family (vende-se no Modelo).

Sou a favor da despenalização do aborto nem sei porquê. Despenalizar uma coisa não é um livre-trânsito para que ela possa passar a ser corrente e sustentada por todos os contribuintes.

Achar que o aborto não é crime é uma coisa. Fazê-lo como método anti-concepcional é outra. Não espero ser esclarecido quanto a esta e a outras razões pertinentes (e a verdade é que também não me apetece ler acerca disto).

O sim aproxima-nos mais dos países civilizados e isso não é coisa que se desbarate.

17 janeiro 2007

Emulação.

Os desenhos dos filhos na parede do escritório têm vários significados. O politicamente correcto, imediato e lógico é o mesmo que sustenta as molduras com familiares nas casas das avós: recordação.

Mas para além deste, e na senda de uma razão análoga às freudianas, é um sinal de fertilidade ou virilidade, quase como uma aliança de casamento no anelar do Zezé Camarinha.

16 janeiro 2007

Vai, não vai.

Eu ando a pensar se faço referência a este post ou não. As questões que levanta são tantas e tão boas que pronto, foi agora. Fala-nos de quotas, de género, de importância, de literatura, entre outros(as).

Este Cavalheiro, diria, anda a pisar gelo fino. Ainda bem.

15 janeiro 2007

Dita dor.

Encontrar o Dr. Oliveira Salazar na lista de finalistas do “O melhor português de sempre” não é surpreendente. Este fenómeno é o mesmo que se passou na vitória do não aquando do primeiro referendo sobre o aborto.

A motivação das minorias é uma constante e a maioria, sempre surpreendida cada vez que julga ter qualquer coisa no papo, só poderá imputar culpas a ela própria.

Numa análise objectiva e desapaixonada, o Dr. Salazar teve períodos em que se destacou, e foi destacado internacionalmente, como um dos estadistas mais competentes na sua função, nomeadamente no início do período ditatorial. Mas as razões que o notabilizaram não podem justificar a sua presença nesta lista: a ignorância e a memória curta não se compadecem com esta lógica frágil. Assim sendo, de forma muito discutível, quem votou nele terá então acertado pelas razões erradas nesta sua aparição entre os dez melhores portugueses de sempre.

O sim vai ganhar no próximo referendo ao aborto, todos sabem disso. Mas quem vai votar não está mais mobilizado e empenhado. Quem está contrariado mexe-se mais do que quem está confortável.

Quem leu a Arte da Guerra ou observou as tácticas utilizadas por José Mourinho no Chelsea, sabe que nunca se deve menosprezar um adversário e que esse é um erro demasiado comum nos derrotados.

Resumindo, o melhor é não adormecer:

SIM + CAMÕES

Não esquecer.

Topf & Sons, Os engenheiros da solução final.


Anúncio a fornos crematórios comercializados pela empresa.


Projecto com três propostas para fornos a construir no campo de trabalho de Cracóvia, 1943.

Esta exposição vai percorrer várias cidades alemãs e fala-nos de uma das muitas empresas que ajudaram ao assassínio em massa de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre muitas coisas, a Topf & Sons concebeu, propôs e construiu os fornos crematórios de Auschwitz.

É espantoso como tantos recursos, inteligência e esforços se juntaram com uma finalidade tão absurda.

12 janeiro 2007

O crime não consola.

Assaltam-me a casa e só roubam balhanas. Nem um livro, CD ou filme levaram.
Aos ladrões e aos economistas, põe o pragmatismo a mão por baixo.

Quem é,

A eurodeputada Ana Gomes?

11 janeiro 2007

Conhecer uma pessoa é meio caminho andado para a desculpar.

Costumo ir à zona do Conde de Redondo em trabalho. Tenho o hábito de comer qualquer coisa num café pequeno onde todos os dias vejo o Eduardo Prado Coelho a tomar o pequeno-almoço e a ler os jornais do dia.

Eu nunca gostei muito do que li deste homem, e desenvolvi mesmo um ódio de estimação pelas suas crónicas diárias no Público.

O problema é o ar que ele tem. Bastante mais velho do que parece na televisão, roupa pouco cuidada e um dia lembro-me de lhe ver uma camisola de lã curta de mais para a barriga.

Desde então dou um desconto automático sempre que vejo qualquer coisa dele. Digo ver porque, mesmo assim, nunca me apetece ler.

10 janeiro 2007

O iPhone, a economia e os problemas por aparar.

Quanto à economia, isto é interessante. Quanto ao discurso de apresentação do iPod com telefone, Steve Jobs podia ter utilizado outra expressão que não it’s like magic. Fez lembrar os Queen e o bigode do Freddie na década de oitenta.

Ministério do Bom Gosto II.





Convite para uma festa na embaixada portuguesa em Viena, Áustria.

Mulheres bonitas e feias mas quase todas bem vestidas, vinho bom e uma paisagem, como dizê-lo, bem disposta.

09 janeiro 2007

Tivesse lido isto há 10 anos e hoje era Primeiro-Ministro.





Paul Arden foi director criativo mundial da Saatchi & Saatchi, depois fez isto. São baratos e cada um lê-se em meia hora.

Para além dos livros, o melhor deste post é o título. Li-o na contra-capa de um deles, citação de um crítico qualquer.

08 janeiro 2007

Gota a gota.

Desconfio de bibliotecas demasiado extensas. Parecem-se com estufas onde se cria qualquer coisa à pressa ou para impressionar. Nisto, tal como nos legumes, prefiro as hortas, onde se pode conversar com os vegetais ou com quem nos empresta a navalha para os apanhar.

Além do mais, se conseguir vender esta teoria às pessoas suficientes, talvez ganhe alguma literatura barata ou até mesmo de graça.

05 janeiro 2007

Grande parte dos blogueres pensa e escreve coisas razoáveis.

Como tal têm blogues razoáveis. Isso não é grande coisa.

Ministério do Bom Gosto I*





Saco Duty Free Paradise do aeroporto de Zurique.

*É provável que precise de ajuda especializada para esta rubrica de vez em quando.

04 janeiro 2007

Another Mister Nice Guy.

Alô? Sim? É do Aspirina? Olhe é só para perguntar se algum dos senhores se vai indignar com a execução dos dois ajudantes de ditador lá no Iraque? Não? Se fosse no Texas o quê? Pronto está bem. Então e os direitos humanos e essas coisas da pena de morte? Olha, desligaram.

03 janeiro 2007

É do frio, só pode ser do frio.

Os pijamas de homem dividem-se nos que são casaco e calça e nos que são camisola e calça. Os de casaco são melhores e mais práticos, se bem que os outros dão para usar enfiados nas calças.

Juízos de ordem estética são dispensáveis, uma vez que o excesso de realidade sobeja em qualquer uma destas facções.

Machine of God.



Numa rua de Lisboa

Sou um homem com problemas.

Ensaio uma relação dos melhores livros que li em 2006. Nenhum dos 10 primeiros foi escrito há menos de 40 anos. E isto é um factor que inquina a possibilidade de uma lista sem disfarce.

02 janeiro 2007

Lá está.

Pelo menos veste este agasalho, rapaz.

Zapatero, vem para dentro que está a ficar fresco.

O primeiro-ministro espanhol esteve bem em algumas das suas decisões e práticas, mas o excesso de optimismo revelou-se pueril. O deslumbre de alguns dos seus apoiantes era o eco natural do deslumbre dele próprio. Todos felizes, todos contentes, pensavam que a lucidez era assim, ser amiguinho era a receita que ainda ninguém se tinha lembrado.

Agora os terroristas começaram a estragar a pintura e o que estava em cima da mesa já está a ir pelo ar.

Saddam Hussein - mais (ou menos) um.

Interessante como as pessoas do costume, normalmente as de esquerda, não levantaram, desta vez, a voz contra a pena de morte. Ainda para mais, sendo o condenado enforcado numa sala, com ofendidos/estúpidos/vitimas/cobardes a injuria-lo e a massacrar-lhe todas as espécies de liberdades, nomeadamente a de ser assassinado em paz.

Esta, tal como todas as execuções, foi só mais uma prova de que a justiça é uma espécie de vingança.